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Notícias

  12/06/2018 

Opinião: confira texto de autoria do Diretor Geral da Fundação Sintaf sobre a greve dos caminhoneiros publicado no jornal O POVO

Abaixo, na íntegra, o artigo de opinião de autoria do Diretor-Geral da Fundação Sintaf, Alexandre Cialdini, que foi publicado no dia 29 de maio no jornal O POVO: 
 
 
A lição não aprendida da greve dos caminhoneiros
 
O problema multidimensional da greve dos caminhoneiros, que se espera uma regularização, ainda que paulatina, tem estimada uma perda de R$ 10 bilhões para economia ou 10 vezes mais esse valor, pela falta de aprendizado dos governantes e da sociedade. Pode-se apurar também que os efeitos serão sentidos, conforme relatório de mercado Focus, do Banco Central (http://www.bcb.gov.br) divulgado na manhã desta segunda-feira, 28, onde mostra que a mediana (medida de posição, que separa a metade maior e a metade menor de uma amostra) para o IPCA este ano foi de 3,50% para 3,60%. Já para o Produto Interno Bruto (PIB) a mesma, recuou de 2,5% para 2,37%.
 
Antes de culparmos os caminhoneiros, precisamos entender a historiografia econômica e as relações de mercado desse setor. O que apuramos é o resultado da vulnerabilidade de um País totalmente dependente do modal rodoviário. Nossa primeira grande paralisação foi em 1999, onde a pauta de reivindicação era a basicamente a de hoje, ou seja: diminuição do custo do combustível e do valor do pedágio; aumento no valor do frete e melhoria das estradas. A “opção rodoviarista” vem desde a década de 1960, para benefício da indústria automobilística e de empreiteiras que constroem estradas. A consequência de deixarmos de lado os modais ferroviário e hidroviário nos tornou dependente do petróleo e asfalto, elevando custo de logística no Brasil. 
 
Conforme dados da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), o setor de transporte rodoviário de carga possui 144.000 empresas, cerca de 485.000 caminhoneiros e de 1.300.000 veículos de transporte de cargas. Assim, constata-se um setor disperso, sem “players no mercado”, que possam exercer influência qualificada nas negociações com o governo. A prática de menores tarifas junto a elevação contínua do diesel estrangulou uma categoria que não pode mais reduzir ou manter o preço do frete. Portanto, percebe-se que também é uma das categorias que necessita de soluções estruturais e não apenas conjunturais, como redução de carga tributária numa ponta. É necessário que se avalie o equilíbrio do sistema logístico de transportes do país, pois qualquer retirada de cargas desse modal desencadeará possíveis movimentos de paralisações e letargia também da sociedade, que não apreendeu a se desvincular do consumo de combustível fóssil.
 
Fonte: Jornal O Povo
Última atualização: 14/06/2018 às 15:28:26
 
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